Quarta, 24 de junho de 2020, 08h11
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Saúde / MONITORAMENTO

Secretaria de Saúde divulga o décimo segundo Informe Epidemiológico sobre a COVID-19

Edição leva em consideração os casos até 20 de junho


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O Informe Epidemiológico sobre a COVID-19, publicado semanalmente pela Secretaria de Saúde de Cuiabá, com apoio de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso, tem o objetivo de monitorar o padrão de morbidade e mortalidade e descrever as características clínicas e epidemiológicas dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave - SRAG - pelo Coronavírus-2019 em residentes no município de Cuiabá. Neste informe apresentamos as informações desde a data da notificação do primeiro caso em Cuiabá até a 25ª Semana Epidemiológica, compreendendo o período de 14 de março a 20 de junho de 2020.

Os casos aqui apresentados referem-se a casos que são notificados pelos serviços de saúde. Contudo, estudos nacionais e internacionais mostram que, assim como em Mato Grosso e no Brasil o número real de casos pode ser ainda maior. Pesquisa realizada recentemente estimou que no Brasil para cada caso confirmado de COVID-19 registrado oficialmente, existem 6 casos desconhecidos na população e, em Cuiabá seriam 5,7 casos não notificados para cada caso confirmado. Esses valores estão relacionados, principalmente, à própria característica da doença na qual cerca de 80% da população apresenta sintomas leves ou são assintomáticos e não procuram os serviços de saúde. Entretanto, ressaltamos que, mesmo esses casos se mantêm transmitindo e, portanto, disseminando o vírus no ambiente.

Destacamos que a notificação de SRAG é compulsória e, portanto, todos os profissionais e instituições de saúde do setor público ou privado, segundo legislação nacional vigente, devem realizar a notificação de casos suspeitos de SRAG dentro do prazo de 24 horas a partir da suspeita inicial do caso ou óbito.

Destaques da Semana Epidemiológica 25 – 14 a 20 de junho

- Até 20 de junho: 2.402 casos residentes em Cuiabá, 1.785 em monitoramento, 522 (21,7%) recuperados e 95 óbitos.

- Na última semana

- Crescimento de 745 (45%) casos confirmados de COVID-19 em residentes em Cuiabá.

- Aumento de 37 óbitos (63,8%) em residentes.

Casos notificados de SRAG até 20 de junho de 2020

Foram notificados em Cuiabá, até 20 de junho de 2020, 3.949 casos suspeitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, 1.150 casos nesta última semana, apontando para o aumento de cerca de 41%. Todos os casos suspeitos foram investigados e entre eles, 506 (12,8%) aguardam o resultado do exame para confirmação ou não de COVID-19. Entre aqueles que se conhecia o resultado (3.443), 481 (14,0%) foram descartados por tratar-se de outras SRAG e 2.962 (86,0%) resultou positivo para COVID-19, sendo 2.402 (81,1%) residentes em Cuiabá.

Cerca de 19% dos casos notificados de COVID-19 em Cuiabá eram de residentes em outros municípios/estados. Entre os 433 casos que estavam internados na capital no dia 20 de junho, metade (49,2%) ocupavam leitos de UTI (213). Entre os internados em enfermaria/isolamento (220), 25,9% (57) eram residentes em outros municípios e entre aqueles que ocupavam leitos de UTI, 39,6% (63) não residiam na capital. A busca por atendimento hospitalar reflete neste aumento tendo em vista que a capital detém o maior número de leitos gerais e leitos de UTI no estado.

Em Cuiabá, entre os hospitais sob gestão estadual (Hospital Santa Casa) e gestão municipal (Hospital e Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, São Benedito, Hospital Universitário Jülio Muller) são ofertados 267 leitos de enfermaria e 130 leitos de UTI para pacientes de COVID-193. Em 20 de junho, a taxa de ocupação dos leitos de enfermaria era de 28,2% e a de UTI 76,9%. Cabe destacar que a taxa de ocupação de leitos considera casos descartados e/ou suspeitos e/ou confirmados, tendo em vista que até o diagnóstico final são necessárias medidas de isolamento que requerem a ocupação de leitos destinados a pacientes com COVID-19.

Casos confirmados de residentes em Cuiabá-MT de 14 de março a 20 de junho

Até 20 de junho foram notificados 2.402 casos de COVID-19 em residentes em Cuiabá indicando crescimento de 45% (745 casos) em relação à semana anterior. Nesta semana (SE 25) foram 106,4 casos novos notificados diariamente, valor bem mais elevado que nas semanas anteriores (SE 24: 82/dia; SE 23: 50 casos/dia; SE 22: 43/dia; SE 21: 23/ dia), evidenciando o acentuado incremento do número de casos semanais na capital no último mês.

Verificamos ainda que entre a semana 19 e 22 os números de casos foram dobrando a cada semana, o que não ocorreu nas últimas semanas. No último mês (24 de maio a 20 de junho) Cuiabá registrou 1.977 mil novos casos, representando um crescimento de 465,2% enquanto no mês anterior (26 de abril a 23 de maio) o crescimento foi de 254,2%.

Do total de casos de COVID-19 em residentes em Mato Grosso (9.175) 3, 26,2% foram de residentes na capital. Em 18 de abril, cerca de um mês após o primeiro caso confirmado, Cuiabá concentrava 64% dos casos da doença no estado, portanto, observamos gradativa redução proporcional dentre o total de casos registrados no estado desde o início da epidemia apontando para a interiorização de casos da COVID-19 em Mato Grosso.

A taxa de incidência da COVID-19 em Cuiabá cresceu substancialmente (391,1 casos/100.000 habitantes) quando comparada com a da semana passada (269,8) e mantendo-se mais elevada que a taxa em Mato Grosso (265,6/100.000 habitantes), porém com menor crescimento proporcional quando comparada com a do estado, haja vista que em Cuiabá a taxa de incidência cresceu 45,0% e no estado de 61,8% na última semana.

Desde a notificação do primeiro óbito em 15 de abril (SE 16) foram registrados 95 óbitos em residentes na capital até 20 de junho.

Apesar do número de casos ter crescido em torno de 45,0% entre residentes em Cuiabá em relação à última semana, o número de óbitos cresceu 63,8% contudo com menor número (38) ao registrado na SE 24, indicando taxa de letalidade de 4,0%, sendo registrados 5,3 óbitos/dia.

Considerando que não haja alteração referente às medidas de controle, entre elas o isolamento dos casos sintomáticos, o número total de casos de COVID-19 em Cuiabá deverá continuar em crescimento nesta próxima semana alcançando 3.886 em 27 de junho. Essa projeção, realizada por meio de modelos matemáticos considera a proporção de infectados e o número acumulados de casos, evidenciou um aumento em torno de 61%, pouco mais elevado que a semana anterior (55%).

Importante fator na análise da dinâmica de epidemias é o valor de Rt que é o R0 efetivo em um determinado momento específico levando em conta as mudanças que podem afetar o R0, como o distanciamento social, por exemplo; lembrando que o R0 é o número de reprodução básico do vírus, ou seja, o número médio de contágios causados por cada pessoa infectada, em uma população onde todos são suscetíveis.

Em Cuiabá, desde a SE 14, o Rt oscilou entre 0,62 (SE 18) e 2,91 (SE 14) demonstrando grandes diferenças no que se refere à disseminação do vírus. Nesta última semana (SE 25 – 14 a 21 de junho) o Rt foi 1,52 discretamente menor que a SE 24 (1,60) indicando pequena redução da dispersão da epidemia e podendo influir na projeção do número de pessoas infectadas assim como no momento do pico da epidemia. Contudo, devemos ressaltar que, somente se o Rt se manter menor do que 1 a epidemia irá diminuir de tamanho até ser eliminada ao longo do tempo.

Vale destacar que os modelos matemáticos podem, e devem ser vistos como uma aproximação, ou caricatura, da realidade. A confiabilidade de tais modelos depende fortemente da confiabilidade das fontes de informações da realidade que temos acesso. Quanto mais precisas forem as informações disponíveis, maior será o grau de previsibilidade do modelo sobre a realidade.

Mesmo diante da flexibilização das medidas de controle da COVID-19, manter o distanciamento social, o isolamento de casos e a investigação de contatos, são ferramentas efetivas para o controle da pandemia até o presente momento. Tais medidas conjuntas propiciam a redução do número de reprodução da infecção, o aumento do tempo de duplicação do número de casos, o retardamento do pico da epidemia, a redução no número de casos dentro de uma cidade e a consequente redução da demanda hospitalar e do número de óbitos.

Reiteramos que não existe vacina para prevenir a infecção por COVID-19 tão pouco medicamento antiviral específico para seu tratamento, portanto a melhor maneira de prevenir a infecção é evitar a exposição ao vírus.

Portanto, torna-se necessário fortalecer também as medidas individuais como estratégia para o controle da COVID-19. O uso de máscara é obrigatório e deve ser respeitado, pois elas servem como barreira mecânica à transmissão do vírus, impedindo ou reduzindo o contato dos indivíduos com aerossóis contaminados. Além disso, é necessário intensificar os cuidados de higiene pessoal, como lavar as mãos frequentemente, e evitar aglomerações, como eventos festivos, reuniões em bares e outros. Somente desta forma poderemos reduzir o número de casos e mortes em Cuiabá.

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