Sábado, 10 de agosto de 2019, 09h00
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Assistência Social e Desenvolvimento Humano / CASAMENTO SOCIAL

Da vizinhança a pista de dança do Lua Morena: casais compartilham como se apaixonaram e chegaram ao final feliz no Casamento Social

O evento foi idealizado pela primeira-dama Márcia Pinheiro e coordenado pela Secretaria de Assistência Social


Gustavo Duarte

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Nem o frio da noite do último sábado (03) espantou a felicidade dos 300 casais que se uniram em matrimônio no Hotel Fazenda Mato Grosso. Dos olhares na vizinhança a pista de dança do Lua Morena, quatro casais compartilharam como se apaixonaram e chegaram ao seu final feliz. O Casamento Social, idealizado pela primeira-dama Márcia Pinheiro e coordenado pela Secretaria de Assistência Social aconteceu graças à ajuda de parceiros e não teve investimento público.

A empolgação dos noivos era evidente. Antes da cerimônia, os 300 casais se enfileiraram para garantir sua foto com o prefeito Emanuel Pinheiro e a primeira-dama Márcia Pinheiro. “Eu tirei foto com o prefeito no meu casamento, dona”, dizia empolgado um dos noivos enquanto saia da fila e se dirigia ao salão principal. No recinto, um grande bolo de andares ladeado de bem-casados numa mesa com arranjos de flores era o centro das atenções.

“Eu gostei de tudo! A decoração está linda! O tratamento foi maravilhoso, foi tudo do jeito que a gente sonhou, mas não tínhamos condições; e agora estamos vivendo”, contou a noiva Joyce Rayane sorrindo e de mãos dadas com seu noivo Giovani.

O casal mora no Poção e está junto há 3 anos. Joyce contou que eles sempre moraram no mesmo bairro e que apesar de Giovani frequentar a mesma igreja e conhecer sua família, a aproximação foi pela internet. Hoje com um filhinho de 2 anos, o casal vive uma emoção dupla, principalmente Giovani, já que depois de 39 anos juntos, seus pais vão oficializar a união junto com ele e Joyce.

“É uma emoção diferente né, casar junto com meus pais. Estou muito feliz! Foi a segunda vez que me vesti assim, eu gosto de ser diferente, de me vestir diferente, por isso escolhi o terno azul”, relatou o noivo emocionado.

O amor estava pela vizinhança, Giovani assumiu que olhava Joyce à distância, até que a tecnologia facilitou o contato. Bem se diz a letra de Nando Reis ‘o amor pode estar do seu lado’. Mas também pode estar do outro lado do Atlântico. Esse foi o caso de Elisângela Francisca de Souza e Valdecir da Costa Leite, juntos há 11 anos.

“Eu estava de férias, na realidade eu morava em Portugal. Eu estava chegando ao Brasil, liguei para minha amiga Angélica e falei para ela arrumar um lugar que eu estava afim de dançar. E a gente saia sempre no Lua Morena”, contou Valdecir.

E a distância física não foi o único empecilho superado pelo casal. O amor dos dois superou o tempo. Com o fim das férias, Valdecir voltou para Portugal e o relacionamento esfriou. Elisângela até achou que era só amor de verão.

“A gente chegou a conversar nesse tempo que ele estava em Portugal, nós namoramos por telefone por seis meses, só que aí ele encontrou uma pessoa lá e eu me afastei, porque achei que eles iriam ficar juntos”. O que, para a surpresa de Elisângela, não aconteceu. Valdecir não seguiu seu relacionamento em Portugal e na realidade retornou ao Brasil alguns meses depois para fazer um curso. Foi então que recebeu uma mensagem despretensiosa de Elisângela, perguntando apenas se estava bem. Na cabeça dela, o relacionamento não havia dado certo, mas a amizade poderia seguir. Foi então que ele respondeu: “eu vou aí na sua casa”. “Foi aí que eu descobri que ele estava no Brasil. E era para ele voltar para Portugal e não voltou”, contou ela rindo e segurando a mão do amado. “Eu pisei no pé dele e ele gostou”, completou a noiva.

Hoje eles são pais do João Antônio de 3 anos, um bebê especial como eles mesmos se referem. “Hoje nós temos um bebezinho de três anos, é um downzinho que veio para a nossa vida, transformar tudo que já estava bom para ficar melhor, que é o João Antônio, ele que é nosso bem mais precioso de tudo isso. De todo esse tempo junto”, explicou ela. “Nossa maior riqueza”, completou ele.

Chegar a este momento não foi fácil para o casal, que por motivos de saúde do filho contraiu várias dívidas e tiveram até que vender o carro para saná-las. Elisângela, que é contadora, passou a ficar em casa para dar suporte ao bebê e a renda da família ficou a cargo apenas de Valdecir, que é açougueiro. Além disso, Elisângela descobriu no cartório que não era divorciada legalmente do primeiro casamento.

“Até duas semanas atrás eu não tinha vestido. Aí o Adilson (Da Secretaria de Assistência Social) ligou para mim e me disse ‘nós ganhamos um vestido de uma estilista e ela quer ser sua madrinha, ela vai fazer o vestido pra você”, contou ela com os olhos marejados. "Foi Deus quem me mandou. Eu acredito que quando a gente pede, ele atende. Foi obra dele tudo isso que aconteceu. Porque era para gente já ter desistido. Foi um empenho das meninas do CRAS, do Edilson, do Cartório, do advogado que não me cobrou nada. De todo mundo para gente estar aqui hoje”, completou a noiva.

O vestido? Ficou pronto na manhã do dia do casamento e ficou como nos sonhos da noiva, completando a felicidade do momento.

Dificuldade financeira foi o grande empecilho para oficializar a união para o casal. E este não é um fato isolado, aliás, a vulnerabilidade social foi o principal critério para inscrição de todos os casais escolhidos pelos 14 CRAS da capital mato-grossense, como Bruna Saturnino e Leonardo de Jesus. Ele desempregado, ela em casa para cuidar do filho de 4 anos, o jovem casal sonhava em oficializar a união, que começou com uma amizade, mas não tinha condições.

“Nós não tivemos gastos com nada, então foi ótimo. Foi maravilhoso escolher o vestido, fiquei nervosa antes, mas depois que escolhi ficou tudo bem”, relatou Bruna. Emocionado com a proximidade da cerimônia, Leonardo contou que esse não foi o primeiro nervoso que passou pela noiva. “Eu quem pedi em namoro. Encarei o sogrão e o pai dela é bravo. Eu gosto de tudo nela, o jeito dela, gosto de tudo”, falou o noivo se declarando para a noiva.

Ternura. União. Respeito. Palavras carregadas em plaquinhas pelas daminhas simininas, que expressam sentimentos que todo relacionamento necessita. E dentre eles, porque não mais um? Por que não amizade? Muitos dos 300 relacionamentos foram construídos a partir dela, como o de Tatiane e Paulo Henrique. O casal junto há 4 anos, se conheceu durante o curso de Técnicas em Recursos Humanos do Senai em 2013. Dois anos de curso e de amizade os aproximaram tanto que fez brotar um novo sentimento: admiração. E daí para o amor não precisou muito.

Enquanto Tatiana conversava desenvolta, Paulo se mantinha calado, até o momento em que perguntado o porquê da timidez. “Olha a minha mão”, ele estendeu sua mão e encostou na minha, estava suando de nervoso. Na hora do sim, a juíza pediu que os casais se levantassem e se posicionassem de frente um para o outro e dessem as mãos. Quando perguntados se aceitavam o parceiro todos disseram um sonoro sim e foram aplaudidos pela plateia em êxtase. Mas, Tatiane e Paulo se destacaram pela simplicidade. Enquanto todos eram euforia, os dois eram seu próprio universo. Calmamente, eles se olharam por longos segundos, sem desviar um do outro, de mãos dadas, até que Paulo a beijou e eles estavam, enfim, casados!

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